Sobre

O escudo da fé (Efésios, VI, 16)

Seguindo o conselho de São Paulo, nos armamos espiritualmente para combater o bom combate e guardar a fé. Vestimo-nos com a armadura de Deus, cingimos os rins com a verdade, colocamos a couraça da justiça, calçamos os pés para anunciar o Evangelho e, sobretudo, tomamos o escudo da fé, além do elmo da salvação e da espada do espírito (que é a palavra de Deus).

A Fé que protege

São Paulo nos fala aqui do escudo da fé no sentido de que a fé nos protege de toda cilada na vida espiritual. A fé é a virtude teologal pela qual aderimos à verdade revelada por Deus pelo motivo preciso de que é Deus quem nos fala, e Deus não pode se enganar nem nos enganar. Não pode se enganar porque Deus é a própria veritas in cognoscendo, não pode nos enganar porque é a própria veritas in dicendo.  A fé é, portanto, o conhecimento mais perfeito que o homem pode possuir. E isso não pelo fato de que o homem vê diretamente o objeto da fé, pois a fé é justamente de non visis, mas porque na fé aderimos ao que a VERDADE PRIMEIRA – Deus – nos fala. Baseados na adesão à verdade revelada por Deus, o homem espiritual julga de todas as coisas e pode discernir o bem e o mal, o verdadeiro e o falso. Na ordem natural, o homem reconhece o verdadeiro e o falso a partir da aplicação dos primeiros princípios: princípio de identidade, princípio de não contradição, etc. Na ordem sobrenatural, a fé se junta aos primeiros princípios do intelecto e os aperfeiçoa. É, portanto, a fé, a fidelidade à verdade revelada que nos protege das vãs doutrinas.

A Fé que é protegida

Francisco Zurbaran  The Apotheosis of St.Thomas Aquinas 1631

Todavia, queremos empregar a expressão de São Paulo também no sentido de proteger a fé, com o escudo da filosofia realista e da teologia católica tradicional, que têm por príncipe o Doutor Comum, São Tomás. Destarte, os trabalhos aqui publicados buscam trazer uma verdadeira reflexão sobre diversos assuntos da atualidade relacionados à doutrina e à moral católicas, com base no tesouro forjado ao longo dos séculos de história da Igreja. Trata-se de um pequeno esforço para que se volte à forma tradicional de fazer teologia, levando em conta as fontes da revelação, a autoridade do Magistério e também a razão humana.

A proteção da fé passa inevitavelmente pela oposição ao modernismo reinante, ao seu modo de fazer teologia e à sua filosofia subjacente. Para o modernismo, a teologia é simplesmente a expressão do sentimento religioso, sentimento que seria a revelação feita dentro da própria pessoa, nos abismos de sua consciência. Como expressão do sentimento religioso, a teologia moderna torna-se subjetiva, propondo a evolução do dogma e contrariando a máxima católica de que as verdades reveladas devem ser entendidas sempre eodem sensu, eademque sententia.

A teologia moderna, fundamentada na filosofia idealista, agnóstica e imanentista, desconsidera completamente o depósito que Nosso Senhor Cristo confiou aos Apóstolos para preocupar-se unicamente com a tradução do subjetivo sentimento religioso em palavras igualmente subjetivas que possam entreter tal sentimento.

A proteção da fé por meio da filosofia tomista e da teologia tradicional é indispensável, pois a fé é o fundamento e o princípio da vida sobrenatural. Sem a fé, ninguém pode agradar a Deus como nos diz São Paulo. A fé é o fundamento positivo da vida espiritual, enquanto a humildade é o fundamento negativo, ut removens prohibens, removendo os obstáculos.

Que esse singelo apostolado possa trazer um pouco de luz sobrenatural às inteligências bem como um aumento no ardor da caridade.

NOTA

Os artigos publicados nessas páginas não têm fim polêmico, mas têm por escopo propiciar aos leitores um olhar objetivo e profundo sobre os assuntos tratados, a partir do exercício da legítima liberdade teológica acordada a certas matérias. É evidente que não há aqui qualquer pretensão de se substituir ao Magistério da Igreja, a quem cabe a palavra final em matéria de fé e moral, bem como nas matérias intimamente conexas com a fé e a moral. 

É evidente, outrossim, que os trabalhos aqui expostos exprimem tão somente a opinião particular de seus autores e não engajam as instituições de que possam fazer parte.

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